À semelhança do anterior fim-de-semana de corridas no Estoril, a instabilidade meteorológica veio “baralhar as coisas” nesta 8ª e última ronda da ZCUP PT, integrada na 6ª, e também última, ronda do CNV Moto.

O vencedor do Troféu ZCUP PT já estava definido desde a última etapa, mas faltava ainda saber quem iria ocupar os restantes lugares do pódio final.

Com 50 pontos ainda em jogo, Duarte Amaral chegava com razoável avanço sobre Nuno Farias para o 2º lugar do Troféu (42 pontos), mas entre aquele e Luís Franco, havia somente 3 pontos de diferença, com vantagem para Farias.

Amaral tinha assim a tarefa simplificada, mas era obrigado a terminar o que nas instáveis condições climatéricas que se avizinhavam, não era coisa certa.

Já Franco era obrigado a ficar à frente de Amaral e Farias e, de preferência, vencer as duas corridas, para deixar a decisão na mão dos outros. Não era tarefa fácil, mas já lá vamos!

Nesta última ronda da PT, Bogdanov (Z07) e Farias (Z21) não apareceram, facilitando a tarefa de Amaral (Z10) e Franco (Z22) na luta para o 2º e 3º lugar do Troféu.

Mas Vicente (Z01), Vilardebó (Z12), Pires (Z14), Meaude (Z24), Fernandes (Z26), Soares (Z53), o regressado Miguel Sousa (Z57) e o estreante Moisés Lozano (partilhando a Z01 com Vicente), apesar de não estarem nesta luta, podiam complicar as contas aos dois, pois todos vão lá para fazerem o seu melhor e as corridas só terminam com a bandeira de xadrez!

Devido à presença do mundial FIM de Sidecars, este fim-de-semana de corridas começou na Sexta-feira com os treinos livres feitos e sob a clemencia dos céus, com o tempo a melhorar ao longo do dia.

Mas como as previsões meteorológicas apontavam chuva forte para o dia seguinte, estes treinos de pouco serviram para afinar máquinas e “cabeças”.

Calificación

No Sábado, a qualificação é feita sobre forte chuvada que escureceu o céu e alagou completamente a pista. Condições difíceis que deixavam todos apreensivos, sobretudo os candidatos ao pódio final.

Mas como a corrida prometia ser com pista molhada, mas já sem chuva, o objectivo era simplesmente assegurar um lugar na grelha de partida.

Nestas condições, os melhores no molhado voltaram a sobressair, ficando a 1ª linha igual à da ronda anterior (?!), com a pole à geral a ir, outra vez, para Teixeira das SBK do ENI/ TLC.

Vicente volta a assegurar o 2º lugar “à geral” e a pole de entre as Zs, voltando Amaral a fechar a 1ª linha da grelha. Franco, mais confiante desta vez, qualifica-se em 4º da geral, com Vilardebó em 6º separado daquele por Curva (Open do ENI/ TLC) que, na sequência de uma forte queda na variante, optou por dar o fim-de-semana por concluído, não participando das corridas.

Soares vence o receio da chuva e, surpreendentemente, supera o rápido Pires, ficando com a 9ª posição e Pires com o 11ª lugar, de entre os 14 bravos que alinharam na Qualificação.

Sem tempo atribuído, ficaram Meaude, Fernandes e Sousa que, por razões várias, preferiram não enfrentar aquelas condições.

O resultado da Qualificação posicionava Amaral mais perto da sua missão, mas com Franco, logo ali, perto do seu alvo! As corridas prometiam!!

Aproveitando a novidade regulamentar desta época associada ao Kit Boost, Amaral escolheu a corrida de Sábado para tentar fazer a diferença com a redução de 6 Kg de peso não suspenso decorrente das belas jantes Dymag, equipadas com rolamentos cerâmicos, e uma transmissão ligeiramente mais longa, ficando o Kit reservado por Vilardebó para a corrida de Domingo!

Nestas condições clamatéricas, a maior vantagem decorria sobretudo de ter o 2º par de jantes montados com pneus diferentes, para poder atrasar ao máximo a opção por uns ou por outros.

Corrida 1

Tal como previsto, a corrida de sábado realizou-se com a pista encharcada, mas sem chuva e, no arranque, é Teixeira do ENI/ TLC quem faz o HOLESHOT, seguido de Vicente e Amaral, com Franco e Pires logo a seguir, com este a fazer um arranque canhão, subindo 6 lugares!!

Na curva 4 da 1ª volta, enquanto Teixeira do ENI/TLC se começa a afastar, Vicente falha a travagem e é imediatamente superado pelo duo Amaral e Franco!

Nestas condições, ninguém arrisca e as posições estabilizam-se excepto para Vilardebó que, ao optar por entrar de slicks numa pista completamente encharcada (resultado da aposta falhada e da falta do 2º par de jantes), desafia o óbvio e consegue manter-se em pista volta-a-volta, para surpresa de todos, deixando os apostadores frustrados por não terem apostado forte na sobrevivência dele!!

Incrivelmente a história repete-se e, tal como na ronda anterior, na penúltima volta, o líder destacado da corrida (desta vez, Teixeira do ENI/ TLC) cai, e também na curva do tanque, mas com tal aparato que a Direcção de Corrida opta por interromper imediatamente e dar por concluída a corrida, valendo a classificação da volta anterior.

Infelizmente Teixeira, algo contundido, mas sem nada demais, não consegue regressar às boxes e, ao ser desclassificado, entrega a vitória à geral a Franco que, entretanto, tinha superado Amaral na volta anterior! Esta foi resvés “campo d’ourique”!

O último lugar do pódio vai para Vicente, que não teve ritmo para seguir os outros, ficando Pires na 4ª posição das Zs, seguido de Soares, tanto nas Zs como à geral, que, com este resultado, passou a acreditar nas corridas à chuva.

É assim mesmo!! Vilardebó consegue, surpreendentemente, chegar ao fim, tendo sido dobrado somente uma vez, e somente por metade do pelotão, conseguindo ainda a proeza de terminar em 9º da geral, de slicks numa pista completamente encharcada!! Incrível!!

Com esta vitória, Franco sobe a 3º do Troféu, por troca com Farias, mas Amaral ao terminar em 2º assegura logo ali também o 2º lugar no Troféu! Arrumam-se assim as calculadoras para a corrida do dia seguinte, ficando somente a vontade de se fazer o que mais se gosta, no sítio certo!

Corrida 2

No Domingo, a ZCUP precedia o prato forte do fim-de-semana, a última corrida da época do mundial FIM de Sidecars, com o título de campeão do mundo ainda por atribuir! Quem lá foi ver, só pode ter gostado!!

Apesar do dia ameno e solarengo, até à ao início da corrida, a pista teimava em não secar depois das chuvas da noite e madrugada. Tal instalou a dúvida sobre que pneus utilizar, tendo metade das Zs saído com “wets” e outra metade com slicks. Quem iria ganhar a aposta?!

Com toda as Zs na grelha, excepto Meaude que não se sentia capaz, o estreante Lozano, falha o semáforo de formação da grelha e só entra em pista na warm-up lap, partindo assim da última posição da grelha. É assim, regras são regras!

Na warm-up lap, os pilotos que tinham optado por “wets” perceberam logo que tinham optado mal, pois a pista já se encontrava praticamente seca. Vilardebó, com a vantagem de ter o 2º par de jantes do Kit Boost, é um dos que opta por slicks, montando estes “em cima da hora”, fazendo os ajustes já na grelha de partida.

Tal como ele, Sousa, Soares e Fernandes também optam pelos slicks, opções estas que iriam ditar o desenrolar da prova. Mas não nos antecipemos!

No arranque, sem Teixeira do ENI/TLC na grelha, Amaral faz o holeshot com Franco colado à sua roda, logo seguidos de Vilardebó e Pires ambos a subirem vários lugares à geral!

Apesar da pista quase seca, Amaral e Franco, de “wets”, imprimem logo um forte ritmo, com Franco a passar Amaral logo na curva 2 da 1ª volta! Mas este forte ritmo não é compatível com os pneus montados e os settings de molhado e, na forte travagem no final da recta interior, Franco não consegue evitar a queda e dá por terminado o fim-de-semana ao ficar algo abalado, mas sem gravidade. Ufa!! Foi pena, mas são assim as corridas.

Todo o pelotão sobe assim uma posição com Amaral na liderança com quase 3 segundos sobre Pires e Vilardebó. Mais atrás, a quase 10 segundos, Sousa, de slicks, instala-se na 5ª posição à geral, atrás de Pedro Dias das SBK do ENI/ TLC com “wets”, depois de largar de penúltimo!

Soares, de slicks, sobe a 8º da geral, seguido de Fernandes, também de slicks. Lozano, de “wets”, supera logo na 1ª volta os mais lentos do ENI/ TLC, instalando-se na 11ª posição. Nada mau para um estreante na moto, no circuito e “wets”!

Volta-a-volta, as diferenças nas apostas dos pneus começam a vir ao de cima com a pista cada vez mais seca e quente. Vilardebó de slicks e com as jantes do Kit Boost, supera Pires logo na 2ª volta e reduz a distância para Amaral em 2,5 segundos, colando-se a este!

Um pouco mais atrás, Sousa anula os quase 4 segundos de diferença que tinha para Dias do ENI/ TLC, colando-se a este! Também na 2ª volta, Soares passa António Reis (supersport do ENI/ TLC com “wets”), subindo a 7º da geral!

No início da volta 3, Vilardebó passa Amaral e sobe à liderança da corrida! Sousa supera Dias do ENI/ TLC e Soares diminui em 2 segundos a distância para ele!

Duas voltas depois, Vilardebó deixa Amaral a mais de 3 segundos. Sousa junta-se a Pires a menos de 2 segundos, ao rodar quase 4 segundos mais rápido por volta, e Soares passa Dias ao rodar 6 segundos mais rápido!!

A duas voltas do fim, com Vilardebó confortavelmente na liderança, Sousa supera Pires e espreita Amaral, que consegue apanhar e superar em cima da linha de meta da última volta, roubando-lhe o 2º lugar por somente 33 milésimas!! É obra!!

Vilardebó regista assim a sua 1ª vitória no troféu, e logo “á geral”, fazendo valer a sua aposta nos slicks com o Kit Boost e subindo, com todo o mérito, ao mais alto degrau do pódio! Parabéns!!

Mas os parabéns vão também para Sousa, que neste seu regresso e partindo de penúltimo, consegue um fantástico 2º lugar, fazendo também valer a sua aposta nos slicks! A fechar o pódio das Zs, e da “geral”, ficou Amaral, o sobrevivente dos “wets”.

Atrás de Amaral, Pires em 4º das Zs e da “geral” é outro dos sobreviventes dos “wets”. Soares consegue, pela primeira vez, um saboroso 5º lugar nas Zs, e à “geral”, fazendo também valer a aposta nos slicks. Fernandes consegue terminar em 10º da geral e 6º das Zs, superando por pouco o estreante Lozano que deu boa conta de si com tantas estreias! Parabéns!

Para encerramento de época, não se podia pedir mais! Foi um fantástico fim de semana de corridas, com muitas estreias e muitas histórias a somar às outras construídas nas 15 corridas anteriores, que levaram 23 “zcuppers” a medirem-se durante 8 meses, entre Março e Outubro, entre Espanha e Portugal, em circuitos de referência mundial, limando barreiras entre 5 nacionalidades diferentes, e construindo memórias que irão ficar para sempre registadas no CNV Moto e no CIV 2019, bem como nos corações de cada um!

Morto o rei, viva o rei, ou seja, terminada a época, começa já a próxima época, cujos detalhes só mais adiante poderão partilhados. Até lá revejam as histórias publicadas na MotoSport, nas apps líderes das redes sociais e no website da ZCUP PT.